• By Sharon Theimer

Estudo da Mayo Clinic revela que o câncer de cólon é causado por mutações genéticas hereditárias em 1 em cada 6 pacientes

20 abril 2021
Ilustração Médica do exame de colonoscopia; cólon do sistema digestório

ROCHESTER, Minnesota — Um novo estudo da Mayo Clinic reforça as evidências de que o câncer colorretal frequentemente é expresso em genes familiares e transmitido de uma geração para a próxima.

No estudo, que foi publicado na revista médica Clinical Gastroenterology and Hepatology, os pesquisadores do Centro de Medicina Individualizada da Mayo Clinic descobriram que 1 em cada 6 pacientes com câncer colorretal tinha uma mutação genética hereditária relacionada ao câncer que provavelmente os predispôs à doença. Além disso, os pesquisadores descobriram que 60 por cento desses casos não teriam sido detectados se contassem com uma abordagem baseada em diretrizes padrão.

“Descobrimos que 15,5 por cento dos 361 pacientes com câncer colorretal tinham uma mutação hereditária em um gene associado ao desenvolvimento do câncer”, declara o Dr. Niloy Jewel Samadder, gastroenterologista e hepatologista da Mayo Clinic e autor sênior do estudo. “Também descobrimos que mais de 1 em cada 10 desses pacientes tiveram modificações em seu tratamento médico ou cirúrgico com base nas descobertas genéticas.”

Os pacientes foram testados com um painel de sequenciamento que incluiu mais de 80 genes causadores ou predisponentes de câncer. Em comparação, os painéis padrão para câncer colorretal incluem apenas 20 ou menos genes.

Os pacientes com câncer colorretal faziam parte de uma pesquisa coorte com mais de 3.000 pacientes envolvidos no estudo INTERCEPT de dois anos, que foram recentemente diagnosticados com vários tipos de câncer nas localidades dos Centros de Câncer da Mayo Clinic no Arizona, na Flórida e em Minnesota. 

“Por meio do estudo INTERCEPT, o Centro de Medicina Individualizada abordou uma questão relevante para todos os pacientes com câncer”, disse Aleksandar Sekulic, M.D., Ph.D., diretor associado do Centro. “As descobertas publicadas pelo Dr. Samadder e seus colegas lançam uma nova luz sobre o papel que nossos genes desempenham no desenvolvimento do câncer de cólon.”

O estudo do câncer colorretal enfatiza que descobrir mutações genéticas herdadas ocultas usando uma abordagem de teste universal e painéis de genes mais amplos pode levar a oportunidades de gerenciar o câncer em famílias e a terapias direcionadas ao câncer que podem salvar vidas.

Segundo a Sociedade Americana de Câncer, o câncer colorretal é a segunda principal causa de morte por câncer nos EUA. Foi também a segunda causa de morte por câncer no mundo em 2020, de acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer. Ao contrário de muitos outros cânceres que são difíceis de descobrir nos estágios iniciais, o câncer de cólon começa como um pólipo, que pode ser detectado em um exame de colonoscopia e removido para prevenir o desenvolvimento e a disseminação do câncer. A Sociedade Americana de Câncer recomenda que pessoas com risco médio de câncer colorretal comecem a fazer exames preventivos regulares aos 45 anos.

“Os exames preventivos de câncer colorretal são uma modalidade importante para prevenir essa doença mortal e muitas mortes desnecessárias resultantes”, diz o Dr. Samadder. “Os exames preventivos podem ser realizados com uma colonoscopia, exames de fezes ou até mesmo tomografias especializadas.”

No estudo, o Dr. Samadder e sua equipe examinaram variantes ou mutações genéticas, com as quais o paciente nasceu e que o predispuseram a desenvolver câncer. Mutações são mudanças anormais no DNA de um gene. Uma mutação genética pode afetar a célula de várias maneiras, incluindo interferir em proteínas ou causar a ativação de um gene.

Embora muitas mutações que causam câncer colorretal ocorram por acaso em uma única célula – incluindo fatores ambientais, dieta, tabagismo e consumo de álcool – o estudo confirma que muitas são mutações hereditárias que desencadeiam um ciclo de eventos que podem levar ao câncer.

“Embora as mutações mais comuns tenham sido encontradas em genes tipicamente associados ao câncer colorretal, descobrimos que um número substancial de mutações estava presente em genes tipicamente associados ao câncer de mama e ovário”, explica o Dr. Samadder. “Isso pode levar a novas terapias direcionadas fundamentadas na base genética única do câncer, por exemplo, em que um medicamento para câncer de mama pode ser usado em um paciente com câncer de cólon.”

Igualmente importante para a descoberta da mutação de câncer herdada de um paciente é o potencial dos pacientes de compartilhar a causa hereditária de sua doença com seus parentes consanguíneos, permitindo que os membros da família busquem cuidados para detecção precoce da doença e controle do câncer. 

“O poder da genética é que podemos prever o câncer que se desenvolverá em outros membros da família”, afirma o Dr. Samadder. “Isso pode nos permitir direcionar os exames preventivos do câncer para indivíduos de alto risco e, com esperança, prevenir o câncer completamente na próxima geração da família.”

No estudo, foram oferecidos testes genéticos gratuitos a todos os familiares consanguíneos de pacientes com uma mutação genética. No geral, apenas 16 por cento desses membros da família realizaram o teste, o que pode sugerir que há barreiras não financeiras para o teste genético. 

O Dr. Samadder diz que os próximos passos serão incorporar os resultados do estudo ao tratamento de todos os pacientes com câncer na Mayo Clinic.

“Estão sendo tomadas medidas para garantir que todos os pacientes recebam o sequenciamento genômico para entender melhor os genes que levaram ao desenvolvimento do câncer e como direcionar o tratamento com precisão e melhorar a sobrevida”, declara o Dr. Samadder.

Sequenciamento genético, análise de deleção e duplicação e interpretação de variantes foram realizados na Invitae Corp. em São Francisco. O apoio a este projeto foi fornecido por um subsídio Mayo Transforma a Prática, do Centro de Medicina Individualizada da Mayo Clinic, da Desert Mountain Members' CARE Foundation e da David and Twila Woods Foundation.

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