• By Sharon Theimer

Pesquisadores da Mayo Clinic desenvolvem teste para medir o efeito das variantes do gene do câncer de mama

28 fevereiro 2021
colagem de imagens representando testes genéticos

ROCHESTER, Minnesota ― Pesquisadores da Mayo Clinic combinaram os resultados de um teste funcional que mede o efeito das variantes herdadas do gene BRCA2 do câncer de mama e de ovário com as informações clínicas de mulheres que receberam testes genéticos para determinar a importância clínica de muitas variantes de significado incerto (VUS) do BRCA2. Os resultados foram publicados hoje em um estudo na American Journal of Human Genetics.

“Existem 4.565 diferentes variantes de significado incerto no gene BRCA2 listados no Banco de Dados de Variantes Clínicas dos National Institutes for Health (Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, NIH),” diz Fergus Couch, Ph.D., um pesquisador de câncer de mama da Mayo Clinic. O banco de dados lista as variantes enviadas por laboratórios de testes genéticos e grupos de pesquisa.

O Dr. Couch diz que as 4.565 variantes representam cerca de 50% de todas as variantes do BRCA2 relatadas no banco de dados dos NIH. Ele diz que milhares de pessoas testadas no mundo todo possuem essas variantes, mas não conseguem saber o significado clínico de suas variantes particulares. E seus médicos não conseguem usar essas informações para selecionar os métodos de prevenção do câncer de mama e de ovário ou selecionar abordagens de tratamento direcionadas para tumores com alterações do BRCA2.

“O método atual para tentar determinar a relevância clínica das variantes de significado incerto do BRCA2 depende de uma série de regras da American College of Medical Genetics and Genomics ACMG/AMP que usa as informações genéticas sobre as variantes e as informações de pacientes e das famílias dos pacientes,” diz o Dr. Couch.

O Dr. Couch e sua equipe usaram um teste funcional para determinar a influência de muitas variantes de significado incerto na atividade de reparo de danos no DNA do BRCA2. Primeiro, eles mostraram que o teste funcional pode distinguir claramente entre as variantes patogênicas conhecidas causadoras de câncer e as variantes benignas do BRCA2 conhecidas que não aumentam o risco de câncer. Depois, aplicaram o teste para as variantes de significado incerto e combinaram os resultados com outras informações baseadas nas regras da ACMG/AMP.

“Descobrimos que 86% das variantes de significado incerto que estudamos foram reclassificadas como benignas ou patogênicas, o que é um passo importante em relação aos 10% ou mais variantes missense no domínio de ligação ao DNA que foram previamente classificados,” diz o Dr. Couch. “Essa é a primeira vez que um teste funcional foi combinado com as informações da ACMG/AMP dessa maneira e os resultados mostram que é altamente eficaz.”

O Dr. Couch diz que os resultados terão um efeito positivo no tratamento dos pacientes, pois eles saberão se as variantes de significado incerto do câncer de mama serão benignas ou patogênicas.

“Os pacientes cujas variantes de significado incerto sejam benignas serão agora avaliados com base no seu histórico pessoal ou familiar de câncer de mama e ovário e não com base no resultado de testes genéticos,” informou o Dr. Couch. “E os pacientes que são classificados portadores das variantes patogênicas poderão se beneficiar de exames de câncer mais frequentes ou mastectomia profilática para reduzirem o risco de desenvolvimento de câncer de mama.”

Os resultados também mostram que as mulheres com câncer de ovário agora podem saber se qualificariam para a terapia direcionada com inibidores PARP.

A pesquisa do Dr. Couch foi financiada pelo Programa Especializado de Excelência em Pesquisa (Specialized Program of Research Excellence, SPORE) em Câncer de Mama do Instituto Nacional do Câncer para a Mayo Clinic (P50 CA116201).

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