• By Sharon Theimer

Formulação líquida iônica proporciona uniformemente quimioterapia a tumores ao mesmo tempo que destrói tecido cancerígeno

16 fevereiro 2021

PHOENIX, Arizona — Uma equipe da Mayo Clinic, liderada pelo Dr. Rahmi Oklu, Ph.D., radiologista vascular e intervencionista da Mayo Clinic, em colaboração com Samir Mitragotri, Ph.D., da Universidade de Harvard, reportou o desenvolvimento de uma nova formulação líquida iônica que mata células cancerígenas e permite a distribuição uniforme do medicamento de quimioterapia em tumores do fígado e outros tumores sólidos no laboratório. A descoberta pode resolver um problema que há muito tempo assola a distribuição de medicamento aos tumores e fornece uma nova esperança para pacientes com câncer de fígado esperando por um transplante de fígado. Os resultados do estudo pré-clínico estão publicados em Science Translational Medicine.

O Dr. Oklu, autor do estudo e diretor do Laboratório de Terapias Minimamente Invasivas da Mayo Clinic, diz que distribuição uniforme do medicamento aos tumores é normalmente cheia de desafios. É um problema que ele e sua equipe de pesquisa estão almejando resolver, particularmente para pacientes com câncer de fígado que estão esperando transplante.

O Dr. Oklu diz que maiores doses de medicamento são comumente usadas para encorajar a distribuição do medicamento para o tumor e essas doses maiores podem levar a toxicidade significativa. “Se o medicamento não consegue penetrar o tumor e permanecer lá, logo, não consegue fazer seu trabalho,” ele afirma.

O tratamento atual envolve ablação, que consiste em esquentar e esfriar o tumor ou infundir partículas radioativas nas artérias do tumor para destruir as células cancerígenas e manter os pacientes dentro dos critérios para um transplante. “Poderia ser feita uma ablação de micro-ondas e basicamente queimar o tumor, mas isso normalmente não é uma opção se o tumor estiver perto do coração ou de outras estruturas importantes. E algumas vezes é difícil achar o suprimento sanguíneo do tumor para infundir as partículas radioativas,” o Dr. Oklu acrescenta.

O Dr. Oklu e seus colegas desenvolveram um líquido iônico, essencialmente sal em estado líquido, como uma maneira alternativa para distribuir os medicamentos aos tumores por meio de uma injeção guiada por ultrassom. Uma vez injetado, os autores dizem que o líquido iônico deposita os medicamentos da quimioterapia uniformemente, matando as células cancerígenas ao passo que o líquido envolve os tumores.

Os pesquisadores relataram que essa abordagem foi bem sucedida em estudos pré-clínicos usando tumores humanos recém ressecados no laboratório e tumores vivos em modelos animais. Adicionalmente, os autores relataram que a quimioterapia permaneceu na zona alvo pelo período de teste de 28 dias.

Enquanto medicamentos muitas vezes são eliminados rapidamente da injeção direta em tumores ou da quimioterapia intravenosa padrão por meio das veias do braço, o líquido iônico, que os autores chamam de “agente ativo localmente para tratamento e erradicação de tumor”, ou LATTE, por suas siglas em inglês, também encoraja a infiltração de célula imune no microambiente do tumor. Isso pode contribuir para atingir a imunoterapia em tumores sólidos. Os pesquisadores dizem que isso pode resolver os problemas atuais, especialmente no carcinoma hepatocelular, o tipo mais comum de câncer de fígado, em que o transplante pode ser curativo. 

“Líquidos iônicos são um grupo de materiais excepcionalmente versáteis. Em nosso laboratório, já demonstramos que eles têm habilidade de superar uma variedade de barreiras biológicas dentro do corpo para distribuir medicamentos. Nesse estudo, demonstramos um uso novo dos líquidos iônicos para distribuir medicamentos de quimioterapia ao tumor no fígado, diz o Dr. Mitragotri.

Os autores sugerem que o LATTE pode funcionar por diversos métodos e estudo futuros estão planejados para expandir esses achados pré-clínicos. Esforços futuros podem examinar medicamentos de quimioterapia adicionais, efeitos dos agentes de imunoterapia e efeitos na sobrevida geral e envolver uma análise detalhada de usos imunológicos locais e do corpo todo dessa intervenção experimental.

Além do Dr. Oklu, os autores da Mayo Clinic incluem o autor líder Dr. Hassan Albadawi, o Dr. Zefu Zhang, o Dr. Izzet Altun, Jingjie Hu, Ph.D. e Leila Jamal. Além do Dr. Mitragotri, os autores da Universidade de Harvard são Kelly Ibsen, Ph.D. e Eden Tanner, Ph.D.

Esse estudo foi financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Os Drs. Oklu, Albadawi e Mitragotri declararam que são inventores no pedido de patente submetido pela Mayo Clinic que cobre a composição e uso do LATTE. A lista completa de esclarecimentos está apontada no estudo.

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Jornalistas: trechos de áudio com qualidade para transmissão com o Dr. Oklu (em inglês) encontram-se nos downloads, no fim da publicação em inglês. Cortesia: Dr. “Rhami Oklu, Ph.D. /Radiologia Intervencionista/Mayo Clinic.”

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